Família

02/10/2019 08h00

A pureza da resposta

Você já conversou com sua criança interna hoje?

Por Nanda Barreto

Nosso Bem Estar
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A pureza da resposta

Chegou outubro e com ele a mudança em massa de fotos de perfil nas redes sociais: viramos crianças de novo! Da minha parte, quase derreto do outro lado da tela diante de tamanha fofura! Adoro ver minhas amizades em suas carinhas de infância: poses e olhares revelam o que cada um trouxe consigo e o que deixou para trás nesta jornada até a vida adulta.

O que a gente queria ser quando crescesse? O que diríamos para nossa criança do passado? E esta, que ainda habita e brinca em algum lugar recôndito dentro do peito, como anda? Quem sabe, querendo tomar um sorvete ou andar descalça? Ou talvez só precisando de um belo e merecido dia de folga.

Conto a vocês que existem duas viagens que eu faço antes de tomar decisões importantes. Uma é me perguntar: quando eu tiver 90 anos, vou me orgulhar de ter feito isso? Vale a pena? Posso me arrepender? Será uma boa memória para a minha breve coletânea de momentos nesta vida?

A outra é visitar esta guriazinha da foto. Sou eu, com uns 5, 6 anos. E não vacilo em dizer: é a versão mais sábia de mim. Quando indago esta moleca sobre qual caminho devo seguir ou simplesmente quando lhe conto minhas intenções, a reação é sempre imediata, pulsante e, invariavelmente, a mais certeira.

Esta Nandinha, à vontade na vida, encostada no fusca do meu pai, não se trai. Não é regida pela moral nem pelos bons costumes, tampouco pelo medo. É uma ser humaninha livre, espontânea, destemida, aberta e sabida do propósito mais profundo do meu coração.

É corriqueiro eu me dar conta de que ainda carrego valores e padrões aprendidos na infância. Algumas crenças são limitantes. Outras, libertadoras. Mas agora, mulher feita, eu posso voltar às minhas origens e me oferecer colo e ciranda. Como costuma dizer minha amiga e educadora Fernanda Poletto, a nossa criança nunca morre, atravessa a vida conosco - mesmo sem termos consciência disso.

Mas às vezes, acho que ela sente saudade, sabe? Banzo de cafuné. De andar descabelada, comer com a mão e lamber o prato. De ficar um pouquinho à toa, alheia a esta correria do cotidiano que tanto nos cobra prazos, comportamentos, metas, talões, cartões e tantas outras correntes.

Compartilho isso, leitoras & leitores, como uma sugestão: experimentem se visitar na infância. Ofereçam abraços, acolhimento, tempo livre, paciência e brincadeiras abestadas. Peguem um retrato agora mesmo e se admirem com olhos de coração. E quando a vida pesar e a mente estiver em comichão, conversem com a criança interior. Digam: olha, tô pensando em fazer isto e aquilo, o que você acha?

É  incrível: nossa criança interna só diz verdades! 

Depois me contem! E feliz dia das crianças! Não abandonemos ela!

 

Nanda Barreto é jornalista, poeta, feminista y otras cositas más!

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