Família

22/03/2017 06h30

Cuidados paliativos

O que pode ser feito quando não há mais nada a fazer pela cura do paciente?

Por Nosso Bem Estar

Pixabay
Cuidados paliativos 2

Conselhos para uma hora difícil

Quando a saúde não pode mais ser restaurada, são tomados cuidados que visam o alívio do paciente, o conforto dos seus familiares e o controle da dor. Além disso, também podemos incluir a busca pela autonomia do enfermo, mantendo sua vida ativa pelo tempo em que ela durar.

Melhora da qualidade de vida

Os cuidados paliativos são realizados para que o doente possa ter melhora da qualidade de vida e do bem-estar, incluindo sua família. Não somente a dor deve ser controlada, mas há um conjunto de atitudes que podem ser tomadas para proporcionar benefício físico, social, emocional e espiritual.

Todas essas ações são realizadas por uma equipe multiprofissional, ajudando o paciente na adaptação de sua nova realidade, imposta pela doença. Geralmente há apoio de um médico, uma enfermeira, um psicólogo, um assistente social e um profissional da área de reabilitação.

Complementação da medicina

É importante informar que os cuidados paliativos são aplicados ao mesmo tempo em que há administração de medicamentos, ou seja, são medidas que se complementam.  Eles são aplicados a partir do diagnóstico que confirma a impossibilidade de cura e podem perdurar até o luto, de forma individualizada, se a família necessitar.

A complementação é fundamental porque a terapia medicamentosa visa controlar a dor, mas o suporte psicológico e espiritual é essencial para gerar conforto ao paciente e seus familiares.

Porém, chega um momento em que os cuidados paliativos são o foco central do atendimento, quando o tratamento com medicamentos perde sua eficiência. Assim, eles promovem melhora da qualidade de vida o quanto for possível e podem facilitar a transição para o fim da vida.

Cuidados paliativos x hospice

Ambas as definições se baseiam em conforto e apoio, mas há uma diferença importante entre as expressões. A primeira acontece complementando a terapia com medicamentos, não há interrupção do tratamento mesmo quando se sabe que nada mais pode ser feito.

Hospice é quando o paciente somente recebe atenção para melhorar seu bem-estar, concentrando-se em cuidar e não em curar. Nesse caso, a medicação é interrompida.

Local de cuidados

Muita gente pensa que os cuidados paliativos são ministrados somente em clínicas ou hospitais de grande porte, que possuem uma equipe multiprofissional especializada para atender os pacientes terminais. Na maioria das vezes é assim, mas os pacientes também podem receber atenção paliativa em casa, sob os cuidados de um médico, ou então em outras instalações que ofereçam o serviço de apoio e suporte, como casas de repouso.

Abordagem sem receios

Os familiares que desejarem receber cuidados paliativos, bem como os enfermos, podem conversar com o médico sobre o assunto. Tudo pode ser dialogado de forma clara e objetiva, sem receios ou constrangimentos, visando o alívio das questões que os preocupam.

Contudo, é importante combinar com o médico o que o paciente deseja saber, como gostaria de receber as informações e também o momento que ele quer ser esclarecido. O enfermo precisa ser tratado com respeito e delicadeza.

Assistência ao cidadão

Até pouco tempo, as pessoas que não possuíam chance de cura eram obrigadas a liberar o leito de hospitais e recebiam alta da instituição, para morrer em casa. Todavia, na maior parte dos casos, os enfermos eram acometidos por dores insuportáveis, sem o suporte médico para aliviar o sintoma.

Com o conceito de cuidados paliativos, tudo mudou. A equipe médica toma o paciente sob sua responsabilidade enquanto ele viver, mesmo que a pessoa não esteja mais ocupando um leito de hospital, preferindo passar seus últimos dias em casa.

É uma diretriz relativamente nova, que ganhou força a partir dos anos 90. Faz parte da assistência integral ao ser humano, enxergando-o como cidadão. Os cuidados se iniciaram na oncologia, mas se estenderam para todas as doenças crônicas, como diabetes, problemas no coração ou no pulmão. Porém, a maioria dos pacientes que recebem atenção paliativa ainda são da área do câncer.

Graças a esses cuidados praticados quando não há mais nada a ser feito pela cura em si, a população pode atravessar esse desafiante período com assistência qualificada, preparando-se para o final de forma mais harmoniosa  e respeitosa, aceitando o processo da vida.

X