Família

11/11/2016 09h00

Cuidando de quem nos cuidou

A expectativa de vida do brasileiro cresce ano a ano, agora o grande desafio é viver bem e com qualidade.

Por Raquel Rau e Zilda May

DRUBIG-PHOTO/ADOBE STOCK/NBE
Idoso

O que você familiar ou cuidador profissional de idoso pensa sobre o cuidar? Será que a ação de cuidar limita-se a dar remédios, banho e alimentos?

O que é cuidar? Você já refletiu sobre essa pergunta? A que conclusão chegou? Como você está cuidando de si mesmo e de quem você ama? A proposta dessas questões é fazermos uma reflexão acerca do CUIDADO.

Dentro desse tema, o convite é focar especialmente nos cuidados com o idoso. É sabido que a expectativa de vida da população brasileira cresce a cada ano. Para que se tenha uma ideia, entre os anos de 1960 e 2010, segundo dados do IBGE, a expectativa de vida do brasileiro cresceu 25 anos, passou de 48 para 73 anos. E, no atual ano de 2016, o brasileiro vive em média 75 anos. Assim, se nas décadas de 40, 50 e 60 o país era constituído principalmente por jovens, hoje, o que vemos é o envelhecimento da população.

O crescimento da chamada terceira idade tem diversas repercussões que mobilizam diferentes áreas da sociedade, como ações específicas em políticas públicas e investimentos em saúde. Além disso, o alongamento do tempo de vida movimenta diferentes setores do mercado, cada vez mais os idosos buscam bem estar através de produtos e serviços de qualidade voltados a eles.

Mas é na unidade familiar que o avanço do “senhor tempo” se faz sentir com mais intensidade. Por um lado, envelhecer não é sinônimo de doenças ou de preocupações, muitos idosos auxiliam à família no cuidado da casa, ou dos netos, ou até financeiramente. Mas, por outro lado, é comum junto à passagem do tempo o aparecimento de doenças e a necessidade de cuidados especiais e especializados. Doenças como Alzheimer, Mal de Parkinson, Hipertensão, Diabetes, entre outras, tem maior incidência na terceira idade e, muitas vezes, requerem uma equipe multidisciplinar, envolvendo médicos, fisioterapeutas, psicólogos, nutricionistas e cuidadores (...) para um tratamento bem sucedido.

As pessoas que convivem mais diretamente com o idoso que requer atenção especial, devido a problemas de saúde, são os chamados cuidadores. Esse grupo se divide em cuidador informal, formado pelos familiares próximos, e o cuidador formal, profissionais capacitados para essa atividade. O atendimento ao idoso pode ocorrer em casa ou em lares geriátricos.

Agora, vamos voltar a nossa reflexão inicial: O que você familiar ou cuidador profissional de idoso pensa sobre o cuidar? Será que a ação de cuidar limita-se a dar remédios, banho e alimentos?

O cuidar referente ao idoso vai além disso. É importante lembrar que se está cuidando de um ser que tem uma história de vida a ser entendida, tem emoções, tem limitações, tem crenças, que você vai ter que saber entender e ter paciência. Cuidar é um ato de preservação, que envolve atitudes e comportamentos relacionados à atenção, ao zelo, ao respeito aos limites, à cautela, tanto com você mesmo (cuidador) como com o outro.

Outra reflexão a ser feita é “Será que todas as pessoas têm perfil para o cuidar?” É importante ter claro que para cuidar do outro em primeiro lugar é necessário cuidar de si, porque é o modo como cuidamos de nós mesmos que determina como cuidaremos do outro. O ato de cuidar exige habilidades, atitudes e responsabilidades.

O cuidar de idosos nos coloca várias questões que vão desde as questões psicológicas de como o idoso lida com o envelhecimento ou a doença até questões muito concretas de acessibilidade e alimentação. O envelhecimento traz ao indivíduo várias alterações em seu estilo de vida que podem ter origem fisiológica, genética, ambiental e emocional. Assim, o cuidar do idoso requer uma percepção, tanto dos cuidadores formais como da família, sobre o envelhecimento e as doenças que acometem essa população, questões psicológicas e emocionais.

Você pode estar pensando, mas eu sei de tudo isso. Mas além do saber é preciso compreender as questões que envolvem o envelhecimento, para poder enfrentar possíveis dificuldades. Por exemplo, as ações dos cuidadores e dos familiares podem ajudar ou dificultar a independência do idoso? O cuidar não é fazer pelo outro, mas sim fazer com o outro. Os cuidadores devem ter uma visão do que o outro pode fazer sozinho, do que necessita de auxilio e no que ele é dependente.

No momento que nossos pais, avós, tios entram na fase do envelhecimento ou são acometidos de uma doença começa uma mudança na dinâmica familiar e com ela surgem dúvidas: E agora, o que vamos fazer? Quem vai cuidar? Onde vamos encontrar alguém que cuide de quem amamos e que cuidou de nós quando criança? Ou como vou cuidar de meus pais se não entendo nada de como lidar com esse problema? O melhor é deixá-lo em casa ou colocá-lo em um asilo ou clínica? ...? ....?

E você, que um dia também vai fazer parte dessa população de idosos, ou já faz, por quem gostaria de ser cuidado?

O cuidar é uma moeda de dois lados de igual importância. De um lado o cuidador formal deve se capacitar para melhor exercer sua profissão e assim proporcionar uma melhor qualidade de vida ao idoso, pois este é um mercado de trabalho em expansão. Do outro lado, tanto o cuidador formal como o cuidador familiar precisam ter a percepção que também precisam se cuidar, estar bem física e emocionalmente. Cuidar e ser cuidado é, acima de tudo um ato de amor. Como diz na canção interpretada por Maria Rita: “... é cria, criatura e criador, cuida de quem me cuidou, pega na minha mão e guia.”.

Raquel Rau é empresária e Zilda May é psicóloga.

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